
Com animação de John Pomeroy, a Prada combina atores e desenhos manuais em sua campanha natalina. A escolha coloca o processo criativo no centro da percepção de valor.
O que aconteceu
A Prada escolheu o desenho manual como linguagem de sua campanha de Natal 2026. Segundo o GKPB, o projeto “Drawing Prada: Animated by Hand” reúne imagens fotográficas, cenas com atores e animação desenvolvida por John Pomeroy, profissional com trajetória na Disney e na Don Bluth Productions.
Maya Hawke, Sadie Sink, Kelvin Harrison Jr., Luther Ford e Chen Haoyu integram o elenco. Glen Luchford assina a fotografia e a direção dos filmes, enquanto Miuccia Prada e Raf Simons respondem pela direção criativa da marca. Ferdinando Verderi conduz a direção criativa da campanha.
Nas peças, animais ilustrados interagem com personagens e produtos das coleções de fim de ano. Uma raposa acompanha Hawke na neve, enquanto outros bichos demonstram interesse por bolsas e calçados. Em vez de buscar uma fusão imperceptível entre as linguagens, a produção preserva as diferenças entre a imagem captada e o desenho.
O trabalho também ganhou um filme de bastidores que acompanha a criação das ilustrações no papel. Conforme a cobertura citada pelo GKPB, a ausência de inteligência artificial foi um dos aspectos destacados na repercussão internacional.
A leitura da ZUCCA
Na leitura da ZUCCA.AG, a decisão mais relevante está em transformar a técnica de produção em argumento de marca. Para uma grife de luxo, o trabalho manual não precisa ficar restrito ao produto. Quando aparece também na comunicação, amplia a coerência entre aquilo que a marca vende e a maneira como constrói desejo.
A presença de Pomeroy acrescenta uma trajetória reconhecida ao projeto. Sua experiência com animação clássica aproxima a campanha de um repertório afetivo compartilhado por diferentes gerações. O elenco jovem atualiza essa referência e permite que tradição e contemporaneidade convivam sem depender de uma reprodução literal do passado.
Preservar os traços das ilustrações torna a escolha artesanal perceptível. Já os bastidores ajudam a demonstrar o processo, em vez de apenas anunciá-lo. Esse conjunto pode sustentar uma percepção de cuidado e autoria, embora a notícia não apresente indicadores de desempenho ou impacto comercial.
A discussão sobre inteligência artificial deve ser tratada com precisão: a opção por uma execução manual não comprova, por si só, uma posição institucional contra a tecnologia. O aprendizado estratégico é mais sólido quando observado pela coerência. A Prada escolhe uma linguagem que reforça seu universo de marca e dá aos produtos uma função dentro da história, sem reduzir a campanha a uma vitrine natalina.
O que sua marca pode aprender
- A técnica de execução pode reforçar o posicionamento da marca.
- Mostrar o processo dá consistência ao discurso de autoria e cuidado.
- Referências afetivas ganham atualidade quando dialogam com novos talentos.
Fonte: GKPB. Análise e texto: ZUCCA.AG.


