
Rebranding
Apple Music usa vibrações sonoras para construir nova identidade visual
Apple Music ·
A nova identidade do Apple Music nasce de imagens produzidas pela interação entre áudio e óleo mineral. O projeto conecta assinatura sonora, expressão visual e uma narrativa própria de marca.
O que aconteceu
O Apple Music adotou um caminho pouco convencional para renovar sua expressão visual: fazer o áudio participar diretamente da criação das imagens. Segundo o B9, a TBWA\Media Arts Lab desenvolveu o projeto a partir de uma assinatura sonora criada com Fred again.. e a NEST Acoustics, dentro do conceito “Made by Sound”.
Para converter música em matéria visual, a equipe conectou um transdutor a um recipiente com óleo mineral. O equipamento transmitia vibrações ao líquido, cujas reações eram registradas em vídeo. Depois de meses de experimentação, os padrões capturados forneceram elementos para texturas, formas e a atualização do símbolo de nota musical da plataforma.
O sistema aproxima essas imagens da estética Liquid Glass da Apple. Na composição tipográfica, o símbolo da empresa acompanha a palavra “music” em caixa baixa, com maior peso e uma adaptação da fonte SF Pro. Após uma aparição inicial na apresentação do Apple Music Hall, em Londres, a identidade começa a chegar às produções originais, aos eventos, à publicidade e às experiências do serviço.
A leitura da ZUCCA
A decisão estratégica está na relação entre produto e expressão. Em um serviço dedicado à música, o som deixou de ser um recurso complementar da comunicação e passou a orientar a construção visual. Isso dá ao projeto uma coerência que vai além da aparência: a marca consegue explicar suas escolhas a partir daquilo que oferece.
O processo físico também cria uma história relevante para a comunicação. Não se trata de considerar a captura em câmera superior à produção digital, mas de reconhecer o valor de um método ligado ao negócio. Aqui, experimentar com frequências e matéria sustenta o conceito criativo, em vez de funcionar apenas como curiosidade de bastidor.
Há ainda uma questão de arquitetura de marca. A aproximação com Liquid Glass e o uso da SF Pro mantêm o Apple Music reconhecível dentro do universo Apple, enquanto a origem sonora oferece uma expressão particular ao serviço. O desafio é preservar essa singularidade nas aplicações cotidianas, quando a explicação do processo não estiver presente.
Para a ZUCCA.AG, a principal lição é que uma identidade ganha força quando conceito, método e aplicação seguem a mesma lógica. A execução pode despertar interesse, mas será a consistência entre os pontos de contato que poderá transformar esse interesse em reconhecimento. O projeto aponta uma direção promissora, sem que isso, por si só, comprove impacto sobre preferência ou resultados comerciais.
O que sua marca pode aprender
- Use a essência do produto para orientar a expressão da marca.
- Faça do processo criativo uma evidência do conceito, não um adorno.
- Equilibre singularidade visual com consistência em todos os pontos de contato.
Fonte: B9. Análise e texto: ZUCCA.AG.



